quinta-feira, maio 03, 2007

Martinico # 01

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Tenho na minha memória branca,
o cheiro do teu sangue no lençol,
o corpo ganhando companhia:
o desejo,
um espelho tornassol...

Entre a carne e a pele eu existia.
Qual de minhas almas era minha,
vendo no espelho
os olhos que tinha?

(era tanta vida
fria desfazendo
quem da vida
desfazia)

Luz do dia,
Eu me sento, eu me sirvo, eu me cego.
Eu te enxergo
nas cortinas que você não escolheu.
(o gosto de vivo no café do meu ego,
mesmo que eu queira, nunca foi meu)

A noite ganha um beijo e
A parede espera companhia:
Acurada a vista que via,
A casa na casa vazia...

A noite era o risco no rosto.
e o dia seria,
a casa,
na casa.


("você escreve isso por que não sabe o trabalho que deu pra tirar a mancha do lençol")

2 comentários:

Caito disse...

Caralho, Marcão, caralho! E vc vem me falar de ritmo? Isso que é ritmo! Olha, tive de ler algumas vezes... enfim, até entender que o gosto vivo café do meu ego nunca foi meu. Talvez precise ler mais algumas... Do caralho. Abraço!

Thais disse...

MARCOS!