quarta-feira, junho 13, 2007

Pinga ni mim

Vi um homem vestido de terno e camisa. Ele estava completamente fora de si. Alfaiate é como lhe chamavam.
O vi primeiramente fora do ônibus, fumando um baseado no terminal.
Falava alto, as meninas passavam por ele apressadas, sem levantar os olhos, Senti um pouco de medo também.
Ele veio para meu ônibus. Parece que ele pega o mesmo todo dia, pela intimidade com que o cobrador falava da sua bebedeira.
Da falação, Alfaiate passou à cantoria. Acho que, em sua cabeça, ele imaginava estar fazendo um show diante da platéia.
Aos poucos, a atitude de reprovação e medo das pessoas se transformou em chacota.
E ele cantava, arrastava a língua, mandava beijos desengonçados, e o povo ria. No começo, timidamente, mas em pouco tempo, eram gargalhadas. O cobrador botando pilha "Canta mais, Alfaiate. Se você dançar também, ganha uma tequila".
Enquanto o ônibus seguia em êxtase humorístico, uma mulher no Capão Redondo derramou uma lágrima seca. Assustada com a própria fraqueza, a esposa de Alfaiate limpou o rosto e maldisse o marido.

2 comentários:

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ai...

dói