segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Pessoal, eu não escrevo bem como vocês, mas ess´aqui está mais sincero e claro...


Marrom número 31 (jav)


Eu era o exterior morando dentro de mim.
Cego desejoso da alma feminina que sempre esteve aquém,
tinha eu o céu senil da classe média em minhas mãos,
aperfeiçoado pela estupidez provinciana e vulgar...

Quando corajoso despi, do corpo, o lento movimento
gritei a falta sentida de quem eu sou,
e veio cantar, dentro de mim, o vento, alvissareiro e abrasador,
enquanto ancorado, sentia eu outras dimensões do tempo...

o desejo pela ilusão do todo desfeito cegou,
e seguiu amputando esta parte de mim, meu algoz e capataz, que me era tão inútil.
Foi um fim em si mesmo, um pesadelo sutil de realidade...

Dos pecados e das penas cristãs impostas a mim,
desenhei e construí as asas da minha verdade...

Lúcidos, anunciaram-se os anjos de carnes e gozos,
E no seio dos desejos alheios eu me perdi...
Não tardou, e
o sussurro veio soprado quente:
Não se enfeita o que se revela cru...


Desenterrei meus pulmões queimados, cuidei-os,
e respirando lá fora, vivo, senti o aroma de todos os chãos que pisei,
esquecidos nas asas do anjo mulher ornamentado de entalhes barrocos,
dormindo nua, sem desconfiar do futuro, entregue...

(Vi o sorriso de olhos fechados logo antes do sono profundo),
(Um celeiro de fachadas coloridas nas fotografias, iluminando os meus olhos e os de Cristie).


Marcos, fevereiro de 2006

Um comentário:

Caito disse...

Engraçado, é o melhor poema no blog e não há comentario nenhum. BEm, agora há!