quarta-feira, abril 23, 2008

Happy hour

Os dois riam aquele riso sem graça cheio de entrelinhas, que o álcool ajudava a acontecer.

"O que você acha de a gente acabar com essa conversinha e eu beijar essa sua pinta, que é o que nós dois queremos?", finalmente disse ele, referindo-se à discreta marca rosada na divisa entre lábio e pele.
Não dá pra dizer que ela nem teve tempo de pensar e já estava envolvida em um beijo íntimo. Ela teve os últimos 45 minutos pra pensar, e era só nisso que pensava mesmo.

Trabalhavam juntos há dois anos e, sinceramente, ela nunca advinharia que acabariam ali, no bar. Mas as coisas mudaram depois do último aniversário da empresa. Para ela, a culpa era daquele seu vestido perfeitamente equilibrado entre o fatal e o corporate, que deve ter inspirado no colega novos sentimentos em relação a ela - que deu pra perceber depois de 10 minutos de conversa fiada na festa. O sorriso dele, contagiante desde sempre, deixou de ser tão cordial e ficou mais carregado de intenções.

Ver nele esse novo interesse em si despertou nela qualquer coisa também.
De lá pra mesa do bar levou menos de um mês. Ela gastou muitas horas encanada com o chefe, a ética, o emprego e sabia que gastaria muitas mais. Mas agora, dane-se. Só importa esse beijo bom, com gosto de chope.

Um comentário:

Mi disse...

A pasta "Merger & Aquisition" até que deu certo pra nós. :)