Estou fragmentado
Dividido
por
dívidas
dignas
de
indignação.
Devendo a
calça a
cueca a
alma!
Dividido
devido
ao valor
devido.
Desiludido,
devastado,
indignado,
endividado,
enjaulado
no dever de
não dever
Mas
Devo duvidar
do que devo?
Devia é
dividir a
dívida!
Que dádiva
seria!
Que glória
divina!
Mas duvido da sorte,
não devo esperar.
Devo até
dever a
Deus por
duvidar.
Devo o dia,
minha tarde vadia,
minha noite fria,
minha vida vazia,
meu coração quente,
meus olhos doentes,
minha mente demente,
minha pena, meu pão.
Devo a vida
indevida
que adio
há dias
por não
ter tostão.
Vou pagando
o pato.
Engolindo
o sapo.
Pagarei tudo
(em dia?) e um
dia vocês
deverão.
Estarei sempre
a disposição.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Sonhar cansa.
Sonhar cansa. Esperar pela materialização, mais ainda. Dá um trabalho hercúleo domar as vontades e expectativas. Vez por outra, elas insistem na rebeldia e tentam se desvencilhar de uma lógica racional que as reprime. Neste árduo conflito entre o que se deseja e o que se pode conseguir, a pessoa vai minguando. Perde paulatinamente suas células e impulsos. E corre o risco de se apagar.
Fica cada vez mais difícil prosseguir com a odisséia que busca o lugar inatingível; ou que não existe mesmo. Onde a satisfação brinda com a alegria a vitória da obstinação – observadas pela decepção, que foi barrada na porta.
É doloroso sentir o toque do cansaço nos últimos lances de escada. Vislumbrar e não chegar. Caminhar e tremer com a evidente perspectiva da desistência. É por isso que a gente senta e acende um cigarro. Porque é necessário recuperar-se da luta e aplacar a ardência dos arranhões. Para poder respirar fundo e reiniciar a batalha. Com a certeza de que silêncio e apatia não são a mesma coisa.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Pobre do Porco
Pobre do porco
Quando nasceu, perdeu a mãe,
que precisava gerar outros
porcos.
Cresceu tão sozinho,
no meio de tantos,
o pobre do porco,
logo foi castrado,
ficou desdentado,
supra-alimentado,
logo ficou gordo,
anabolizado,
logo foi ceifado,
limpo e embalado,
pronto para ser
comercializado,
logo foi comprado...
Pobre do porco...
Não fosse tão gordo.....
Não fosse tão gostoso...
Tão gorduroso!
Talvez escapasse
de um destino, assim tão,
tão glorioso:
Ser o (in)feliz
protagonista de
uma charmosa
comemoração.
O prato principal!
Grande e grelhado
astro da maior
das festividades.
O grande alvo
dos holofotes.
Mas o acaso é algoz cruel.
(E as idéias se repetem)
O porco, o pobre do porco,
pouco antes de ficar pronto,
escorregou, caiu na brasa.
- Quem foi o filho da puta
que deixou essa merda
cair na churrasqueira?
festa, insatisfeita,
protesta, mas logo o luto
cessa. É festa! Tanta
cerveja ainda resta,
todos voltam depressa,
para a celebração.
E o porco,
pobre do porco,
acabou cremado!
Viveu por nada,
morreu em vão.
Quando nasceu, perdeu a mãe,
que precisava gerar outros
porcos.
Cresceu tão sozinho,
no meio de tantos,
o pobre do porco,
logo foi castrado,
ficou desdentado,
supra-alimentado,
logo ficou gordo,
anabolizado,
logo foi ceifado,
limpo e embalado,
pronto para ser
comercializado,
logo foi comprado...
Pobre do porco...
Não fosse tão gordo.....
Não fosse tão gostoso...
Tão gorduroso!
Talvez escapasse
de um destino, assim tão,
tão glorioso:
Ser o (in)feliz
protagonista de
uma charmosa
comemoração.
O prato principal!
Grande e grelhado
astro da maior
das festividades.
O grande alvo
dos holofotes.
Mas o acaso é algoz cruel.
(E as idéias se repetem)
O porco, o pobre do porco,
pouco antes de ficar pronto,
escorregou, caiu na brasa.
- Quem foi o filho da puta
que deixou essa merda
cair na churrasqueira?
festa, insatisfeita,
protesta, mas logo o luto
cessa. É festa! Tanta
cerveja ainda resta,
todos voltam depressa,
para a celebração.
E o porco,
pobre do porco,
acabou cremado!
Viveu por nada,
morreu em vão.
sexta-feira, novembro 10, 2006
Mlle. L. chegou (parabrisasparalaura)
Nessa näif em que me visitas
não é tua beleza que te faz bonita
(tua beleza é um vazio é
um cio de formas aflitas)...
.corre-me o risco de vê-la feia, de tanto que és bonita.
Corre-me de vê-la o fragmento
na metadetempo
desse frágil objeto-concreto em estrutura.
Dividindo nosso encontro
em sua falsa-formosura sofrimento.
Chegas, desfazem-se elas todas:
Mais que amar mais tranquilo:
eu transparente, ela de vidro.
e sabermo-nos túrgidos
de nós diluindo
( aquarelas )
nas manhãs de domingos.
não é tua beleza que te faz bonita
(tua beleza é um vazio é
um cio de formas aflitas)...
.corre-me o risco de vê-la feia, de tanto que és bonita.
Corre-me de vê-la o fragmento
na metadetempo
desse frágil objeto-concreto em estrutura.
Dividindo nosso encontro
em sua falsa-formosura sofrimento.
Chegas, desfazem-se elas todas:
Mais que amar mais tranquilo:
eu transparente, ela de vidro.
e sabermo-nos túrgidos
de nós diluindo
( aquarelas )
nas manhãs de domingos.
terça-feira, novembro 07, 2006
Perdida (ou “Pérdida o ganancia”)
Do colapso dos desencontros
Entende-se a e-x-t-r-a-o-r-d-i-n-á-r-i-a recusa da referência em ser referência
Qual vão maior, maior é?
Metada-se? Desmeta-se?
Fragmenta-se tudo
Matéria e espaço
Tempo e prioridades
O caso vira descaso
E alvorada
Entende-se a e-x-t-r-a-o-r-d-i-n-á-r-i-a recusa da referência em ser referência
Qual vão maior, maior é?
Metada-se? Desmeta-se?
Fragmenta-se tudo
Matéria e espaço
Tempo e prioridades
O caso vira descaso
E alvorada
sexta-feira, novembro 03, 2006
Em cada acaso e cada esquina,
há pouca sorte e muita sina
e as profecias que se auto-cumprem
continuam cumprindo a sua função:
Tornando cada ato vão,
O imprevisível destruído no
mundo da tal globalização.
E então eu penso no mercado,
Tão ingrato! Não cumpriu o nosso trato,
Me deixou aqui na mão.
Logo eu, que tomei todas as marcas de refrigerantes
e muito antes de todo mundo comprei
o disco original da melhor banda
e paguei no crédito! ( ou foi no débito?)
Eu comprei remédio.
Fui ao cinema pra espantar o tédio.
Eu tomei sorvete,
matei a sede com gatorade,
eu que comprei até smoking
para fumar o meu baseado!
Mas o mercado, tão ingrato!
Não cumpriu o nosso trato,
me deixou aqui na mão.
Mas que porra!
Eu tomei cerveja
e assisti todas as propagandas,
Joguei na loto toda semana,
Comprei guitarra, videogame,
umas revistas, aluguei fitas,
Mas já comprei meu DVD!
Eu escuto rádio e vejo TV,
Mas e aí que você vê,
Como o mercado é tão ingrato,
não cumpriu o nosso trato,
me deixou aqui na mão.
há pouca sorte e muita sina
e as profecias que se auto-cumprem
continuam cumprindo a sua função:
Tornando cada ato vão,
O imprevisível destruído no
mundo da tal globalização.
E então eu penso no mercado,
Tão ingrato! Não cumpriu o nosso trato,
Me deixou aqui na mão.
Logo eu, que tomei todas as marcas de refrigerantes
e muito antes de todo mundo comprei
o disco original da melhor banda
e paguei no crédito! ( ou foi no débito?)
Eu comprei remédio.
Fui ao cinema pra espantar o tédio.
Eu tomei sorvete,
matei a sede com gatorade,
eu que comprei até smoking
para fumar o meu baseado!
Mas o mercado, tão ingrato!
Não cumpriu o nosso trato,
me deixou aqui na mão.
Mas que porra!
Eu tomei cerveja
e assisti todas as propagandas,
Joguei na loto toda semana,
Comprei guitarra, videogame,
umas revistas, aluguei fitas,
Mas já comprei meu DVD!
Eu escuto rádio e vejo TV,
Mas e aí que você vê,
Como o mercado é tão ingrato,
não cumpriu o nosso trato,
me deixou aqui na mão.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Carta-renúncia
Camaradas,
soberba - ou falta de falsa modéstia - à parte, estou farto de ser tratado como um reles instrumento barato ou qualquer coisa que o valha.
Esta é a pior face de uma vida profissional média. Por um lado, considerando nossas próprias experiências, estamos cientes de que somos seres acima da média, capazes de auto-gerir nossas próprias atividades, para ficar em apenas um exemplo. Por outro, no âmbito pessoal, ninguém nos conhece o bastante para nos subestimar quando é conveniente. Não somos meros produtores de pilhérias. Tampouco podemos aceitar comodamente a espúria tarefa de apenas levar adiante conteúdos vazios e inócuos.
Abaixo as tarefas medíocres e braçais, que não exigem mais do que saber contar até dez e escrever tal qual alguém que foi semi-alfabetizado!
Proponho a criação de uma comunidade auto-sustentável e de administração horizontal - uma zona autônoma. Local em que seria plenamente possível fazer desabrochar todo o nosso lirismo em meio a doses cavalares de vinho vagabundo e artesanal, fabricado a partir de uvas amassadas por nossos pálidos pés.
Basta de querer servir a este mundo vil. Ele deseja apenas mão-de-obra barata e mentes subornáveis, não a nossa incompreensão. As pessoas comezinhas que dele fazem parte não nos querem, e por isso devemos dar às costas a tudo e a todos. Deixemos que o universo deles gire ao redor de nossos mal lavados e disformes umbigos, mas não sujemos as mãos.
Hasta la victoria. Siempre!
José
soberba - ou falta de falsa modéstia - à parte, estou farto de ser tratado como um reles instrumento barato ou qualquer coisa que o valha.
Esta é a pior face de uma vida profissional média. Por um lado, considerando nossas próprias experiências, estamos cientes de que somos seres acima da média, capazes de auto-gerir nossas próprias atividades, para ficar em apenas um exemplo. Por outro, no âmbito pessoal, ninguém nos conhece o bastante para nos subestimar quando é conveniente. Não somos meros produtores de pilhérias. Tampouco podemos aceitar comodamente a espúria tarefa de apenas levar adiante conteúdos vazios e inócuos.
Abaixo as tarefas medíocres e braçais, que não exigem mais do que saber contar até dez e escrever tal qual alguém que foi semi-alfabetizado!
Proponho a criação de uma comunidade auto-sustentável e de administração horizontal - uma zona autônoma. Local em que seria plenamente possível fazer desabrochar todo o nosso lirismo em meio a doses cavalares de vinho vagabundo e artesanal, fabricado a partir de uvas amassadas por nossos pálidos pés.
Basta de querer servir a este mundo vil. Ele deseja apenas mão-de-obra barata e mentes subornáveis, não a nossa incompreensão. As pessoas comezinhas que dele fazem parte não nos querem, e por isso devemos dar às costas a tudo e a todos. Deixemos que o universo deles gire ao redor de nossos mal lavados e disformes umbigos, mas não sujemos as mãos.
Hasta la victoria. Siempre!
José
terça-feira, outubro 10, 2006
Destino de um poema cifrado
No breu noturno eu sempre te enamoro
e nas estrelas vejo o teu reflexo.
Sem espelhos! – Grande é o teu complexo!
Nos meus sonhos, eu sempre te devoro...
Eu não sei desenhar o sentimento
como tu, que desenha até um afago.
Perco-me! Por fim eu sei que naufrago
nos teus olhos, profundos como o tempo.
Ah! Mas cruel é o destino, pequena,
nos cercando dentro de sua arena.
Brincando! Tal e qual uma criança!
Como o ferimento de uma vil lança,
que no coração injeta esperança
e ao destino incerto nos condena.
Republicação revisada.
e nas estrelas vejo o teu reflexo.
Sem espelhos! – Grande é o teu complexo!
Nos meus sonhos, eu sempre te devoro...
Eu não sei desenhar o sentimento
como tu, que desenha até um afago.
Perco-me! Por fim eu sei que naufrago
nos teus olhos, profundos como o tempo.
Ah! Mas cruel é o destino, pequena,
nos cercando dentro de sua arena.
Brincando! Tal e qual uma criança!
Como o ferimento de uma vil lança,
que no coração injeta esperança
e ao destino incerto nos condena.
Republicação revisada.
terça-feira, outubro 03, 2006
O suicídio é a maior das tentações
no mundo da superinformação
que desinforma e deforma
de forma que as normas respondam
à uma lógica ilógica e
anti-ecológica.
Não há saídas e
embora os caminhos sejam vários.
parecem dar todos no mesmo
lugar e apesar de toda
perseverança e esperança
é sempre mais fácil encher a pança
com uma boa picanha e
uma cerva gelada,
afinal, a vida anda tão complicada
que pensar é penoso e
perceber é chorar.
Melhor me vendar.
Melhor me vedar.
Melhor me vender.
Melhor me dopar.
no mundo da superinformação
que desinforma e deforma
de forma que as normas respondam
à uma lógica ilógica e
anti-ecológica.
Não há saídas e
embora os caminhos sejam vários.
parecem dar todos no mesmo
lugar e apesar de toda
perseverança e esperança
é sempre mais fácil encher a pança
com uma boa picanha e
uma cerva gelada,
afinal, a vida anda tão complicada
que pensar é penoso e
perceber é chorar.
Melhor me vendar.
Melhor me vedar.
Melhor me vender.
Melhor me dopar.
domingo, outubro 01, 2006
Chegando.
Eu pensei seriamente em começar minha estada neste blog dizendo que é uma honra estar em tão refinada companhia, que não merecia estar incluído em tal rol de pensadores, filósofos, poetas e escritores e depois deslizar uma série de palavras tolas neste meu teclado frouxo só para concentrar o maior número de palavras por cm quadrado em um mesmo texto.
Foi então que me apareceu na mente o significado da palavra "barato" e fiz as devidas considerações.
Foi então que me apareceu na mente o significado da palavra "barato" e fiz as devidas considerações.
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