quinta-feira, abril 27, 2006

Meu desejo é sair dessa caixa de fósforo

Meu desejo é sair dessa caixa de fósforo
De onde enxergo outros prédios, outras luzes acesas, outros perdidos na madrugada
E abraçar alguém
Dizer “Oi” para o padeiro
Cumprimentar o vendedor

Sair desse mundo que não fede, nem brilha e muito menos se bate
Bater a cabeça no galho da árvore
Passar por cima da faixa de pedestre
Ver

Sem mais diálogos de dedos não vistos
Partos invisíveis de sentimentos
O egoísta rubor das bochechas
Que se mostram vermelhas apenas para o meu próprio calor

Quero dedilhar o vento que acabou de voar seus cabelos
Que driblou o contorno de seu corpo
Que arrepiou seu braço nu
Braço que enxergo a minha frente

De repente transferi a maior parte da minha realidade –
irreal –
Para o universo de símbolos virtuais
Provando a teoria do vazio do pós-moderno

Quero sentar no tronco ao seu lado e proferir palavras que você sorverá
E farão arregalar seus olhos
Subir suas sobrancelhas
Mover seus lábios
Salgar suas lágrimas
Diante de mim

Preciso sujar meus pés de areia
Engasgar com a água salgada
Entrelaçar meus dedos nos seus
Chutar e machucar o dedão
Brilhar para o sol

Um comentário:

Ricardo M. Garcia disse...

Além de tudo, é poetisa...
Tem como não encantar-se???
Beijo!