Vontade de terminar
Esperança que começa na terça e aumenta na quarta
Na quinta depois da labuta uma saída pra dispersar a semana
E brindar a chegada da sexta
Na sexta caminho mais leve, e com mais vontade
Ouço mais samba que na segunda
Giro os plano para os encontros.
A ansiedade pelo final de semana:
Um porre, uma dança, um filme, um sofá e boa companhia
Tudo acontece antes, nos pensamentos de sexta.
terça-feira, março 20, 2007
sexta-feira, março 16, 2007
Rondó Rancoroso
Viúvas velhas fofoqueiras
e os meninos rejeitados
contam todos, revoltados,
estórias sobre a mãe solteira.
E essa gentalha faceira
difama também o drogado,
agora está enamorado
da mãe que não é mais solteira!
Mas que casalzinho perfeito!
Nunca um rapaz viciado
lograria qualquer afago
de uma mulher sem defeito.
Mas que casal pecaminoso!
Não se deram por satisfeitos.
Tão logo se viram no leito,
fizeram um amor tão gostoso...
Resultado: mais uma herdeira.
Ganhou um legado de merda:
o pai, viciado e poeta,
e a mãe, que já foi mãe solteira.
e os meninos rejeitados
contam todos, revoltados,
estórias sobre a mãe solteira.
E essa gentalha faceira
difama também o drogado,
agora está enamorado
da mãe que não é mais solteira!
Mas que casalzinho perfeito!
Nunca um rapaz viciado
lograria qualquer afago
de uma mulher sem defeito.
Mas que casal pecaminoso!
Não se deram por satisfeitos.
Tão logo se viram no leito,
fizeram um amor tão gostoso...
Resultado: mais uma herdeira.
Ganhou um legado de merda:
o pai, viciado e poeta,
e a mãe, que já foi mãe solteira.
quarta-feira, março 14, 2007
Rosário
Morreu. Em vida, me chamava de prolixa. Eu não sabia o significado, mas ele insistia que eu devia fazer “assim, assado”. Eu queria ser Adélia Prado. Na música, tentei tocar Chico Buarque. Na “perifa”, falo gíria, sim: “Faz parte...” Mas a comida da minha mãe, ah, que delícia! Aqui é Floripa, qualquer “babado” é notícia. Até eu já fui capa de revista. “Grande mulher. Profissão: motorista.” Minha vida é como um flash. Só caminho para frente. Às vezes, engato a ré, mas ando sempre pé ante pé. Meu filho quer ser piloto de avião. Eu tenho medo de altura. Meu ex-marido – que Deus o tenha! – também gostava de dirigir. É de família! Mas dirigia mesmo a minha vida – canalha, demente, escroto! - Tocava cavaco, puxava o pagode até altas horas, bem perto do nosso barraco. O filho pequeno se agitava. Ficava sujando fralda até tarde. De medo. Medo de tiro. Tem nego que se estressa e manda bala nos malandros de arruaça. Nego que tem que trabalhar, é claro. O resto se junta. Faz batucada. A galera da “massa”. Tem medo de nada! Eu tentava escrever, mas o filho berrando, a cabeça rodava. Nunca me ensinaram a escrever. Aprendi nos livros. Mas sozinha. Sempre fui sozinha. Criei meus dois irmãos. Depois, crescidos, se afastaram. Ficou subentendido: Eles me amaram. Mas é como eu sempre digo: “Tem gente que pensa que o mundo gira em torno do próprio umbigo”. Não sou só eu que digo. Mas não vem ao caso. Assim como não vinha ao caso ele me chamar de prolixa. Jamais leu uma palavra do que escrevi. Nem lista de supermercado nem bilhete pedindo resposta urgente. Aquilo não era homem, não era humano, não era gente! Mas na poesia, eu fui Rosário. Vinicius que o diga! Caiu no conto do vigário. Perdeu o rumo nos olhos noturnos dessa mulata. Se a mãe dele me pega, é cadeia na certa – me mata! Mas eu nunca enganei ninguém. Era moça também. Gozei a juventude como bem quis. Tentei a música, a dança, quis ser atriz. Mas eu tinha pressa. Acabei “entrando pro táxi”. O poder de conduzir as pessoas! Porque chegava em casa, tinha que ouvir o vagabundo gritar: “Não fez arroz? Vou comer galinha com o quê?” E lá ia eu, esquentar a barriga no fogão, pra chegar na hora de servir e ter que ouvir: “Devia ter feito macarrão”. Casar pra quê? Minha vó aconselhava vida de mulher moderna. “Homem, se quiser muito, querida, tu paga!” Eu não dei ouvidos. Achei que a velha tava errada. Mas tava certa a danada! Contava as aventuras sexuais que vivera com meu avô para os netos, como quem conta uma história pra dormir. Parecia conto de fadas. Não fosse a pornografia. Eu sempre gostei de pornografia. Deve ser por causa da minha vó. Mas os olhos, dizem, são do pai. As orelhas, boca, dentes puxei da mãe. Um ou outro gesto do meu avô; o sorriso. Mas a tristeza veio do ex-marido. Pobre Romeu! – e que Deus o tenha! – Morreu.
quarta-feira, março 07, 2007
Convicção - 03.fev.2007 - 20h54
As dúvidas nos jogam pra baixo, as certezas nos fazem voar. A convicção em um fato, dura um ato. A integridade do espírito sua vida inteira.
Bandeiras, marcas, ideologias, gravadas a suor, sangue e fogo. A cada tempo de queda, a cada navegação a esmo, cada segundo de dor. A cada um desses momentos de escuridão quando a força de vontade queima cada desventura, o coração fica marcado, e o espírito estampado.
Somar as marcas, lembrar o caminho percorrido, o estalo na cabeça da lição demorada de se aprender. E de cima desses pilares indestrutíveis, fundidos em nossa natureza, enxergar o que você é, o que foi, o que se tornará, e não temer.
Bandeiras, marcas, ideologias, gravadas a suor, sangue e fogo. A cada tempo de queda, a cada navegação a esmo, cada segundo de dor. A cada um desses momentos de escuridão quando a força de vontade queima cada desventura, o coração fica marcado, e o espírito estampado.
Somar as marcas, lembrar o caminho percorrido, o estalo na cabeça da lição demorada de se aprender. E de cima desses pilares indestrutíveis, fundidos em nossa natureza, enxergar o que você é, o que foi, o que se tornará, e não temer.
terça-feira, março 06, 2007
Passado
Um intenso reflexo
No teu olhar se fez
Era o meu rosto sublinhado
Pelos anos
Massacrado
Acariciado por teus dedos
Teus pecados.
Fui encerrado
Nesta cama:
"Ninguém me nota.Ninguém me ama"
Como é doce a amargura de ser
só
sol
ré
dó
de quem?
de mim?
por quê?
Também tenho pena de tique não sai de casa
sem
som-
bra. Tua maquiagem
não disfarça teu passado.
Galopa a vida tão depressa,
mas não te leva muito longe:
passa dó passa dó passa dó
passa
dó
Passado.
No teu olhar se fez
Era o meu rosto sublinhado
Pelos anos
Massacrado
Acariciado por teus dedos
Teus pecados.
Fui encerrado
Nesta cama:
"Ninguém me nota.Ninguém me ama"
Como é doce a amargura de ser
só
sol
ré
dó
de quem?
de mim?
por quê?
Também tenho pena de tique não sai de casa
sem
som-
bra. Tua maquiagem
não disfarça teu passado.
Galopa a vida tão depressa,
mas não te leva muito longe:
passa dó passa dó passa dó
passa
dó
Passado.
domingo, fevereiro 18, 2007
Pai, com carinho
Foi quando vi
o tempo que tempo sendo
mas não existindo
Deu medo
de ver tão indo
Dum tempo - arre...
tão pronto chegar
o tempo que tempo sendo
mas não existindo
Deu medo
de ver tão indo
Dum tempo - arre...
tão pronto chegar
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Do que não sou
Não sou um escritor barato
Nem sequer uma barata escritora
Sou, quando muito, algo como...
Um escaravelho embebido em tinta.
Daqueles que cambaleiam e rastejam
seu grifo de imprecisas patas.
Daquelas pulgas amestradas que - desastradas -
mergulham em tonel de nanquim e gravam
não um verbo e, sim, um tropeço.
É possível conjugar tropeço.
Eu tropeço
Tu tropeças...
Mas, vá lá...
Ninguém há de imprimir,
com precisão de marca passo,
que passo haverá de dar
(ainda mais calçando alpercatas de carimbo)
Pisei. Não nego!
Apago quando puder.
Rod
Nem sequer uma barata escritora
Sou, quando muito, algo como...
Um escaravelho embebido em tinta.
Daqueles que cambaleiam e rastejam
seu grifo de imprecisas patas.
Daquelas pulgas amestradas que - desastradas -
mergulham em tonel de nanquim e gravam
não um verbo e, sim, um tropeço.
É possível conjugar tropeço.
Eu tropeço
Tu tropeças...
Mas, vá lá...
Ninguém há de imprimir,
com precisão de marca passo,
que passo haverá de dar
(ainda mais calçando alpercatas de carimbo)
Pisei. Não nego!
Apago quando puder.
Rod
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Estou fragmentado
Dividido
por
dívidas
dignas
de
indignação.
Devendo a
calça a
cueca a
alma!
Dividido
devido
ao valor
devido.
Desiludido,
devastado,
indignado,
endividado,
enjaulado
no dever de
não dever
Mas
Devo duvidar
do que devo?
Devia é
dividir a
dívida!
Que dádiva
seria!
Que glória
divina!
Mas duvido da sorte,
não devo esperar.
Devo até
dever a
Deus por
duvidar.
Devo o dia,
minha tarde vadia,
minha noite fria,
minha vida vazia,
meu coração quente,
meus olhos doentes,
minha mente demente,
minha pena, meu pão.
Devo a vida
indevida
que adio
há dias
por não
ter tostão.
Vou pagando
o pato.
Engolindo
o sapo.
Pagarei tudo
(em dia?) e um
dia vocês
deverão.
Estarei sempre
a disposição.
Dividido
por
dívidas
dignas
de
indignação.
Devendo a
calça a
cueca a
alma!
Dividido
devido
ao valor
devido.
Desiludido,
devastado,
indignado,
endividado,
enjaulado
no dever de
não dever
Mas
Devo duvidar
do que devo?
Devia é
dividir a
dívida!
Que dádiva
seria!
Que glória
divina!
Mas duvido da sorte,
não devo esperar.
Devo até
dever a
Deus por
duvidar.
Devo o dia,
minha tarde vadia,
minha noite fria,
minha vida vazia,
meu coração quente,
meus olhos doentes,
minha mente demente,
minha pena, meu pão.
Devo a vida
indevida
que adio
há dias
por não
ter tostão.
Vou pagando
o pato.
Engolindo
o sapo.
Pagarei tudo
(em dia?) e um
dia vocês
deverão.
Estarei sempre
a disposição.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Sonhar cansa.
Sonhar cansa. Esperar pela materialização, mais ainda. Dá um trabalho hercúleo domar as vontades e expectativas. Vez por outra, elas insistem na rebeldia e tentam se desvencilhar de uma lógica racional que as reprime. Neste árduo conflito entre o que se deseja e o que se pode conseguir, a pessoa vai minguando. Perde paulatinamente suas células e impulsos. E corre o risco de se apagar.
Fica cada vez mais difícil prosseguir com a odisséia que busca o lugar inatingível; ou que não existe mesmo. Onde a satisfação brinda com a alegria a vitória da obstinação – observadas pela decepção, que foi barrada na porta.
É doloroso sentir o toque do cansaço nos últimos lances de escada. Vislumbrar e não chegar. Caminhar e tremer com a evidente perspectiva da desistência. É por isso que a gente senta e acende um cigarro. Porque é necessário recuperar-se da luta e aplacar a ardência dos arranhões. Para poder respirar fundo e reiniciar a batalha. Com a certeza de que silêncio e apatia não são a mesma coisa.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Pobre do Porco
Pobre do porco
Quando nasceu, perdeu a mãe,
que precisava gerar outros
porcos.
Cresceu tão sozinho,
no meio de tantos,
o pobre do porco,
logo foi castrado,
ficou desdentado,
supra-alimentado,
logo ficou gordo,
anabolizado,
logo foi ceifado,
limpo e embalado,
pronto para ser
comercializado,
logo foi comprado...
Pobre do porco...
Não fosse tão gordo.....
Não fosse tão gostoso...
Tão gorduroso!
Talvez escapasse
de um destino, assim tão,
tão glorioso:
Ser o (in)feliz
protagonista de
uma charmosa
comemoração.
O prato principal!
Grande e grelhado
astro da maior
das festividades.
O grande alvo
dos holofotes.
Mas o acaso é algoz cruel.
(E as idéias se repetem)
O porco, o pobre do porco,
pouco antes de ficar pronto,
escorregou, caiu na brasa.
- Quem foi o filho da puta
que deixou essa merda
cair na churrasqueira?
festa, insatisfeita,
protesta, mas logo o luto
cessa. É festa! Tanta
cerveja ainda resta,
todos voltam depressa,
para a celebração.
E o porco,
pobre do porco,
acabou cremado!
Viveu por nada,
morreu em vão.
Quando nasceu, perdeu a mãe,
que precisava gerar outros
porcos.
Cresceu tão sozinho,
no meio de tantos,
o pobre do porco,
logo foi castrado,
ficou desdentado,
supra-alimentado,
logo ficou gordo,
anabolizado,
logo foi ceifado,
limpo e embalado,
pronto para ser
comercializado,
logo foi comprado...
Pobre do porco...
Não fosse tão gordo.....
Não fosse tão gostoso...
Tão gorduroso!
Talvez escapasse
de um destino, assim tão,
tão glorioso:
Ser o (in)feliz
protagonista de
uma charmosa
comemoração.
O prato principal!
Grande e grelhado
astro da maior
das festividades.
O grande alvo
dos holofotes.
Mas o acaso é algoz cruel.
(E as idéias se repetem)
O porco, o pobre do porco,
pouco antes de ficar pronto,
escorregou, caiu na brasa.
- Quem foi o filho da puta
que deixou essa merda
cair na churrasqueira?
festa, insatisfeita,
protesta, mas logo o luto
cessa. É festa! Tanta
cerveja ainda resta,
todos voltam depressa,
para a celebração.
E o porco,
pobre do porco,
acabou cremado!
Viveu por nada,
morreu em vão.
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